Meu umbigo e eu
Uma conversa no carro me fez voltar. Imagino que foi apenas o estopim de meses sem escrever uma linha sequer. Minha mãe me colocou de volta ao eixo? Não sei ao certo. Sei somente que estou tentando me orientar, centrar em algo há muito tempo. Será que o TCC foi tão cruel com a minha vida que me deixou sem rumo? Não. Minhas escolhas anteriores e posteriores a esse período foram decisivas e devastadoras. Mesmo com essa conversa sei que continuarei parcialmente cego por um tempo.
Na quinta, feriado de Corpus Christi, me vi em situações que não me agradavam, praticando mal criações (eu tenho quantos anos? 10?) que nunca havia feito em toda a minha vida. Preciso ser ácido com todos? Claro que não, né? E sei essas atitudes não chegam de repente em nossas vidas e certamente não são eliminadas sem muito esfregação e sabão.
Bom... estou falando o que está vindo à minha cabeça como se vocês estivessem morando 24 horas dentro dela, como se entendessem todos os mecanismos que a regem e minhas lógicas que muitas vezes não fazem muito sentido. Mas entendam... Estou há quase 5 meses sem escrever nada de interessante (recados e anotações de trabalho não valem). Isso não é somente um problema para a minha formação acadêmica e futura profissão como jornalista, mas também um problema enorme para me situar no meu próprio mundo. É curioso como esse blog consegue fazer isso comigo. Sei que já escrevi isso em postagens anteriores, mas é preciso repetir: Comecei a escrever aqui, nesta página meia boca e envelhecida pelas traças de biblioteca velha, inspirado em uma frase de um veterano de faculdade. Sim senhores, escrever é um ato de se conhecer, não tenho a menor dúvida. E reler também é. As vezes me delicio entre uma releitura ou outra, ainda mais pelo fato de serem engraçadas muitas situações depois de sabermos os desdobramentos. E é para voltar a saber quem eu sou que retornei.
Uma vez me disseram que amadurecer é saber o que quer e porque quer. Para isso ser possível, assim entendo, devemos saber quem somos para poder querer direito. Oras, se não for dessa maneira sempre nos arrependeremos no final (como eu já fiz e muito).
Um dos meus maiores desejos é de que a minha ânsia de auto-conhecimento um dia se encerre na entrega de um certificado dourado, me dando plenos poderes sobre os meus erros, plena consciência dos meus atos. Mas quando isso será possível. Outro dia também me disseram que quanto mais conhecemos Deus e suas maravilhas mais Ele nos mostra como somos (falhos).
A tal conversa que indiquei no começo da postagem me mostrou mais outra falha. Não, a conversa não foi com Deus, foi com a minha mãe. Quando discutíamos as mudanças de humor pelo o qual ela passou nos últimos anos eu tentei explicar tais ocorrências pelo fato de eu ter me mudado para Bauru. Então ela, possivelmente lembrando de outro momento de comportamento "adoleta" de um membro da família, disse que aquilo não passava de um surto egocêntrico e o que a fez mudar foi o tratamento terapêutico do qual participara no passado. Obviamente não tive uma reação tão compreensiva e reflexiva naquele instante, mas algumas horas depois eu pensei: "Poxa vida, quem sou eu para pensar só em mim tendo 6 bilhões de outras pessoas lá fora?" (eu estava no banho, portanto, com certeza todas essas pessoas estavam "lá fora").
E não fiz um TCC pensando em melhorar a sociedade? Em contribuir para o futuro de uma cidade que me recebeu por 4 anos? Eu não continuo reciclando o lixo por entender que é meu dever ter consciência do destino de todas as coisas que já não prestam mais e que elas simplesmente não somem no ar? Eu não me mantenho firme em posições esquerdistas em discussões familiares? Eu afirmo que a mudança de hábito e a minha falta de respeito para com todo o resto da humanidade não é devido a mudança de residência ou de modo de vida, mas sim fruto de escolhas erradas, que me isolam cada vez mais em um mundo do tamanho do meu umbigo.
Triste, não? Mas verdadeiro.
Só espero que essa postagem não se perca no caminho como todas as outras em que lamento os meus erros passados. Quero mudança plena, mudança sem travas ou medos de mexer e curar feridas. Mudanças de ares não só pelo fato de ser em uma outra casa, mas sim por não ter mais vícios e desperdício de vida em cada molécula que nos envolve.
Se conseguirei? Acho que já fiz essa pergunta outras vezes, não leitores?
Um momento para uma conversa mais íntima com você:
Ligia, é um prazer te ter como leitora. Espero que as minhas reflexões impregnadas de detalhes de uma vida comum não te encham as paciências. Eu as vezes costumo ser um tanto reclamão e fico murmurando um bocado de algumas coisas. Mudar que é bom, pouco...
Eu realmente tenho um outro blog. Se eu tivesse continuado a escrever nele eu acho que faria muito mais sucesso. O endereço é:
coloresdelosojos.blogspot.com
Mas não passou de uma postagem (além da inaugural).
A idéia é boa, quem sabe eu não retomo um dia desses.
Aproveite bem a leitura e espero que você encontre a explicação para o gosto amargo da vida. Muitos procuraram e procuram a mesma coisa como você.
" Delicie-se com o próximo capítulo da novela, nesse mesmo bat-local. O resto fica de surpresa de última hora. "
Na quinta, feriado de Corpus Christi, me vi em situações que não me agradavam, praticando mal criações (eu tenho quantos anos? 10?) que nunca havia feito em toda a minha vida. Preciso ser ácido com todos? Claro que não, né? E sei essas atitudes não chegam de repente em nossas vidas e certamente não são eliminadas sem muito esfregação e sabão.
Bom... estou falando o que está vindo à minha cabeça como se vocês estivessem morando 24 horas dentro dela, como se entendessem todos os mecanismos que a regem e minhas lógicas que muitas vezes não fazem muito sentido. Mas entendam... Estou há quase 5 meses sem escrever nada de interessante (recados e anotações de trabalho não valem). Isso não é somente um problema para a minha formação acadêmica e futura profissão como jornalista, mas também um problema enorme para me situar no meu próprio mundo. É curioso como esse blog consegue fazer isso comigo. Sei que já escrevi isso em postagens anteriores, mas é preciso repetir: Comecei a escrever aqui, nesta página meia boca e envelhecida pelas traças de biblioteca velha, inspirado em uma frase de um veterano de faculdade. Sim senhores, escrever é um ato de se conhecer, não tenho a menor dúvida. E reler também é. As vezes me delicio entre uma releitura ou outra, ainda mais pelo fato de serem engraçadas muitas situações depois de sabermos os desdobramentos. E é para voltar a saber quem eu sou que retornei.
Uma vez me disseram que amadurecer é saber o que quer e porque quer. Para isso ser possível, assim entendo, devemos saber quem somos para poder querer direito. Oras, se não for dessa maneira sempre nos arrependeremos no final (como eu já fiz e muito).
Um dos meus maiores desejos é de que a minha ânsia de auto-conhecimento um dia se encerre na entrega de um certificado dourado, me dando plenos poderes sobre os meus erros, plena consciência dos meus atos. Mas quando isso será possível. Outro dia também me disseram que quanto mais conhecemos Deus e suas maravilhas mais Ele nos mostra como somos (falhos).
A tal conversa que indiquei no começo da postagem me mostrou mais outra falha. Não, a conversa não foi com Deus, foi com a minha mãe. Quando discutíamos as mudanças de humor pelo o qual ela passou nos últimos anos eu tentei explicar tais ocorrências pelo fato de eu ter me mudado para Bauru. Então ela, possivelmente lembrando de outro momento de comportamento "adoleta" de um membro da família, disse que aquilo não passava de um surto egocêntrico e o que a fez mudar foi o tratamento terapêutico do qual participara no passado. Obviamente não tive uma reação tão compreensiva e reflexiva naquele instante, mas algumas horas depois eu pensei: "Poxa vida, quem sou eu para pensar só em mim tendo 6 bilhões de outras pessoas lá fora?" (eu estava no banho, portanto, com certeza todas essas pessoas estavam "lá fora").
E não fiz um TCC pensando em melhorar a sociedade? Em contribuir para o futuro de uma cidade que me recebeu por 4 anos? Eu não continuo reciclando o lixo por entender que é meu dever ter consciência do destino de todas as coisas que já não prestam mais e que elas simplesmente não somem no ar? Eu não me mantenho firme em posições esquerdistas em discussões familiares? Eu afirmo que a mudança de hábito e a minha falta de respeito para com todo o resto da humanidade não é devido a mudança de residência ou de modo de vida, mas sim fruto de escolhas erradas, que me isolam cada vez mais em um mundo do tamanho do meu umbigo.
Triste, não? Mas verdadeiro.
Só espero que essa postagem não se perca no caminho como todas as outras em que lamento os meus erros passados. Quero mudança plena, mudança sem travas ou medos de mexer e curar feridas. Mudanças de ares não só pelo fato de ser em uma outra casa, mas sim por não ter mais vícios e desperdício de vida em cada molécula que nos envolve.
Se conseguirei? Acho que já fiz essa pergunta outras vezes, não leitores?
Um momento para uma conversa mais íntima com você:
Ligia, é um prazer te ter como leitora. Espero que as minhas reflexões impregnadas de detalhes de uma vida comum não te encham as paciências. Eu as vezes costumo ser um tanto reclamão e fico murmurando um bocado de algumas coisas. Mudar que é bom, pouco...
Eu realmente tenho um outro blog. Se eu tivesse continuado a escrever nele eu acho que faria muito mais sucesso. O endereço é:
coloresdelosojos.blogspot.com
Mas não passou de uma postagem (além da inaugural).
A idéia é boa, quem sabe eu não retomo um dia desses.
Aproveite bem a leitura e espero que você encontre a explicação para o gosto amargo da vida. Muitos procuraram e procuram a mesma coisa como você.
" Delicie-se com o próximo capítulo da novela, nesse mesmo bat-local. O resto fica de surpresa de última hora. "

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