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Complexo de um brasileiro de estatura mediana...

... gosto muito de fulana mas siclana é quem me quer...

quarta-feira, setembro 05, 2007

Minhas impressões sobre Santos

No dia 28/08 eu desci a serra do mar. Novamente vi o furo que fizeram no paredão que não intimidou Anchieta. Um enorme túnel deixa a descida tão suave que o mais perigoso é acabar dormindo com a possível monotonia. Mas não foi maçante. Viajar com o "senhor Artesp" é sempre emocionante (O Unocicaba e a flor Consolação que me confirmem), apesar de eu muitas vezes dormir durante o trajeto.

Já em Santos, me supreendi ao ver o túnel que começa na Praça dos Andradas. Ele é azulejado como os túneis que te levam e te tiram de Copacabana no Rio de Janeiro, mas não tem o mesmo glamour. Apesar de um amigo meu dizer que o bairro carioca se assemelha muito à orla de Santos não vejo tantas ligações. O "clima" da cidade é outro. O ar de onde eu estava não era carregado de conotações sexuais. Também não é dominado pelos dizeres de milhares de turistas gringos. Aqui a cidade é mais do próprio povo do que dos "outros" que descem a serra ou chegam de navio. Nós, os turistas, até existimos e alimentamos uma considerável parte da economia, mas não somos hiperprotegidos ou estigmatizados. O tratamento é outro. A minha primeira impressão é que somos tão cidadãos como todos os santistas, responsáveis pela manutenção de sua beleza e com direitos de aproveitarmos suas vantagens.
De fato a cidade não é uma beldade só. Tirando os prédios com feições dos anos 1950 ou 1910, o resto da cidade possui um visual praiano, o qual eu não sou muito afeiçoado. Os prédios que abrigam muitos idosos paulistanos, cansados da poluição e canseira que a capital exala, não possuem uma beleza que me agrada e também não se mostra tão confortável. Imagino que foi a solução encontrada para o pouco espaço que uma ilha proporciona e a falta de recursos que dura até os dias de hoje em algumas partes do nosso país. Santos, se olharmos para esses prédios, não é muito diferente de algumas outras praias que eu conheci, como Bom Retiro em Recife e Canasvieiras em Florianópolis. Você me argumentará que as paredes azulejadas ou cheias de ladrilhos se tornam muito mais resistentes à humidade e ao calor, e de fato tem razão. Talvez eu esteja implicando um pouco demais.

Mas o interessante de Santos é a vida que passa por suas ruas. Talvez por ser uma cidade com taxa de densidade habitacional bem grande dificilmente suas ruas se mostrem vazias. A praia, mesmo com um dia nublado convida ao passeio, à caminhada. O jardim que separa a avenida costeira e a areia é algo muito interessante de se ver. Por que não? Por que a praia é só areia? Provavelmente as árvores dão algum respiro nos dias de calor.
Mas há também os fatores econômicos. Santos é uma cidade viva economicamente falando. Não só o seu porto movimenta a economia. A Baixada Santista é uma das 3 metrôpoles do estado e Santos é o seu centro. Muitos moradores de São Vicente, Praia Grande e Guarujá saem de suas cidades para trabalhar ou consumir. O resultado é mais gente nas ruas.

Cadeiras e mesas também são encontradas, pelo menos, nas ruas XV de Novembro e do Comércio. Mas somente a partir das 17:00 hs. Um local, que poderia muito bem estar largado às moscas e a outros excluídos da vida movimentada que acompanha a moda, está muito bem cuidado por donos de bares que recebem a cada noite as pessoas dispostas a viver a própria cidade, a sentir como o mundo está repleto de pessoas tão sedentas por interação como qualquer uma. Não sei de quem partiu a iniciativa de revalorizar o centro histórico da cidade, mas o destino dessas duas ruas que só viviam a sombra dos tempos áureos do café era triste. A cidade é viva, dinâmica, habitat moderno de muitos e deve servir aos interesses daqueles que a usufruem.


Quanto às pessoas? Eu não tive muito contato com os santistas. Além dos trabalhadores da pousada em que estive durante esses dias não acho que devo dizer muito. A população aparenta ser envelhecida, mas não saudosista. Santos é muito mais do que um porto, é muito mais do que alguns anos de preço alto do café. Como toda cidade, por ser constituída de vida e de muitas vidas, pode escrever seus detalhes a cada curva da história. Não deve receber o rótulo de uma simples embalagem, mas deve ser parte integrante do cotidiano das pessoas.



Momento para continuar uma história que não consigo colocar um ponto final.

Meus dias passam por diversas coisas e muitas pessoas passam por mim, mas não há como não pensar em você. Eu gostaria de mentir, dizer que esqueci e que estou pronto para outra. Sei que isso não é possível por enquanto. E se Vinícius fez aquele poema para nós? Você já se utilizou dele.

" Conte sua história, pois sua memória pode um dia se apagar. Não faça segredo. Não, não tenha medo, estou aqui pra te escutar. "

" Você melhorou? Foi uma cirurgia na boca, não? Era siso? "