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Complexo de um brasileiro de estatura mediana...

... gosto muito de fulana mas siclana é quem me quer...

domingo, julho 23, 2006

Ele não poderá ouvir

Fui para o Rio de Janeiro nessa última semana. Fiquei lá de terça a sábado, pouco tempo para se passar com familiares tão próximos. Fui especialmente com a missão de levar os meus avós para visitar os meus tios e primos. Servi como verdadeiro motorista. Eles já não tem idade para ficar dirigindo, ainda mais as 9 horas de viagem pela Dutra, Linha Vermelha, Linha Amarela, que, como a própria Dona Ilda diz não se comparam às ótimas e belas estradas de nosso estado.
Lá eles se esbaldaram com o neto mais novo, de 4 anos. Guilherme Augusto é mais do que um ótimo motivo para sair de Ribeirão Preto para passar somente alguns dias no Rio de Janeiro. Os 3, meus dois avós e o meu primo também, ficaram muito feliz com essa visita. Porém eu percebi algo muito triste. Meu avô, que já tem seus 76 anos, tem muita dificuldade para falar e tem muita vergonha de conversar com as pessoas pois é difícil de entende-lo. Percebi, então, que o meu priminho espuleta não poderá ouvir coisas tão simples e tão gostosas de ouvir que meu avô costumava nos falar. Ele não verá nosso avô xingando as pessoas de "BOIOTA". O que isto significa sempre foi uma incógnita para mim, mas sempre achei muita graça quando eu ouvia. Era engraçado, oras. Ele não verá meu avô o pegando no colo e perguntando se ele quer andar no "COCURUTO". Ele não entenderá que "CUCA" é uma outra forma de se falar cabeça.
E ele não ouvirá ele dizendo: "Sabia que você é muito querido, queridão?"
Meu avô usava algumas gírias e falas mostrando sua origem sãocarlense e um pouco caipira.

*Não lembro de outras falas, pois já faz tempo que não o ouço falar muito. Agora só lembro do "SIM", que percebi que todos os homens da família também falam

Mas agradeço muito a Deus por permitir que eles tivessem esse tempo para se conhecer e até tentar jogar Mario Kart - o Gui também não tem uma fala muito desenvolta. Quando ele falava o nome do jogo e eu só entendia "Mai Tati". Fiquei um bom tempo me perguntando o que ele queria dizer sobre alguma Tati, que não são as da minha casa, pois eu sei que ele não as conhece - É claro que meus avós não conseguiam fazer os carrinhos andarem na pista, mas eles tentaram brincar com ele. Peço ao Altíssimo que lhes dê mais alguns anos para provar da presença um do outro, mesmo não sendo completa.

" Você me é muito querido também, Seo Fábio! "

segunda-feira, julho 17, 2006

Poemas e poetas

Aqui vai o primeiro poema que fizeram para mim (de que eu tenho notícias):


HÁ CERTOS PRINCÍPUOS
PRECÍPUOS

Para quem quer ir
(sinuosamente)

Fundo, refundar
Mundo
Mais mundo
Menos i-mundo

Desconfiar de crenças
Que não dançam

Desconfiar de certezas
Que não se explicam

Desconfiar de teorias
Que se recusam ir ver

Desconfiar de utopias
Que não sonham


De Andrés Evaristo Reyes Pinchera
(meu tio)

Segundo minha tia este veio como todos os outros. Não em muito tempo. Fiquei muito feliz quando o vi. Fui entender todo o seu sentido um tempo depois.

Essa última semana foi de poetas e poemas. Drummond e Rosa me instigaram. Conhecer o amor descrito por meu primo distante e ter ciência de quem é Diadorim são desejos dos últimos dias do meu vigéssimo ano.

Da minha parte também partiu uma nova palavra, um neologismo qualquer: "Arco-Irish"
Não se remete ao Leprechaun e ao pote de ouro, mas sim a uma vizinha. Toda colorida.

"Elsa y Fred" também foi um poema cinematografado. Me emocionou muito ao me fazer lembrar dos meus avós. Dos 4.

" Gosto de você por que você é louca, louca! "

quinta-feira, julho 13, 2006

Nem tanto ao mar nem tanto à terra

Estou de volta... e de férias. Quem diria! Eu melhorei, e melhorei muito. Não sei exatamente o que me aconteceu. Somente sei que não será de supetão que ficarei melhor. Não será uma nuvem salvadora que descerá somente para me curar do mal que sofro (ou sofria). Me veio claramente a resposta. Tudo será um processo. Passarei por diversas coisas, mas só ficarei bem comigo mesmo e com o mundo (esse era o prolema) depois de um gradual processo.

Digo essas palavras pois, vocês meus leitores, merecem um sinal de vida, de que eu não me entreguei à depressão e solidão (se me dessem a essa real oportunidade isso aconteceria). Não direi muitas outras coisas. Não quero escrever muito. Estou num momento de querer ler e aprender, coisa que não fiz nem um pouco nesse semestre. Só dei murro em faca por pura burrice e soberba. Me vi abaixo do nível de inteligência da minha nova casa. A galera por lá é bem inteligente mesmo. As vezes é bom ficar um pouco no silêncio mesmo. Escrevi muita coisa nesse blog e não vivi muitas outras coisas na vida lá fora.

Direi somente como foi meu dia.
Peguei o hábito de ir a museus. Um ótimo hábito, aliás. São poucas as pessoas que fazem isso em nosso país. Diversas exposições eu visitei nesses últimos 3 anos. Muito mais que o dobro que no período anterior de minha vida. Hoje fui no centro cultural Banco do Brasil. Sim, você tem razão. Eu já havia ido no CBB do Rio de Janeiro. O prédio do centro carioca é muito mais bonito, mas de exposições tão interessantes quanto o paulista. E claro, eu queria estar bem acompanhado. Gostaria muito de compartilhar esses momentos com alguém especial. Acho que disso vocês já sabem. Seguindo um roteiro turístico, fomos para a torre do banespa. Linda visão. Muito legal ver sampa lá de cima. É muito grande. A cidade não acaba até onde o olho alcança. Tem mais coisa além de lá. Acho que descobri onde foi filmado um dos clipes da banda Jota Quest. Não sei se vocês lembram. Um que o casal está num terraço fingindo que vai se jogar de lá de cima e as cenas vão congelando, mas mesma forma que acontece no filme Matrix. Enfim. Imagino que seja o prédio que fica em frente. Tenho quase certeza.
Tudo isso aconteceu e eu imaginado como ir de São Caetano para a avenida 9 de Júlio, no Itaim Bibi, sem ter ônibus na cidade (PCC novamente botou o dedo na cara dos paulistanos e fez uma parcela do transporte da capital parar). Putz... ela deve ter passado por perrengue enorme pra chegar no trabalho.

Um dia muito feliz com a minha família no centro de São Paulo.

Para o final, concordo muito com a frase que li agora a pouco:

" É preciso re-estabelecer a paz consigo mesmo... "

segunda-feira, julho 03, 2006

Da onde vem a calma?

Bom... não muita coisa. Como posso explicar? As coisas não estão legais. Nem um pouco. Mudei de casa. Uma coisa boa, né? Sim, também concordo. Estou gostando da casa nova e muito. Mas não estou legal. Nem um pouco. Você compreende? Não, né? Eu também não. As vezes estou contente, rio com as pessoas sem maiores problemas. Mas as vezes me sinto fingindo, me sinto falso. Na verdade eu tenho sido muito falso. Um sorriso que não deveria estar nos meus lábios aparece quando as pessoas querem me ver feliz. E quando mostro um pouco de tristeza me fecho e digo que não tem problema. Tem vários problemas. Muitos problemas, mas não deixo as pessoas me ajudarem. Agora, neste exato momento, estou com dor de cabeça. Quantas vezes tive dor de cabeça? Muito pouco. 90% das vezes ocorreu neste semestre. Como pode? Como o meu semestre foi tão ruim? Como eu me descuidei tanto. Tô me alimentando muito mal aqui em Bauru. Tenho cuzinhado muito pouco. Como pão com alguma coisa em casa. Quando isso foi comida?
AHHHHHHH! Eu quero gritar e descarregar todas as minhas lágrimas que estão presas aqui dentro. Mas não posso agora. Não no laboratório de informática da Faac ouvindo repetidamente a última faixa do cd Ventura, que não por acaso é a mais triste, melancólica. Não posso, entende? Não, né? Nem eu. Aliás a Paula acabou de passar por aqui e disse que eu estava muito melancólico. É... devo estar mesmo melancólico.
Mas por incrível que pareça essa visita me deixou um pouco melhor. Não posso ficar choramingando muito, é errado. Estou muito dependente de uma solução de fora. De uma salvação que não seja as que eu já conheço, que aliás deveriam ser aquelas que eu recorreria num momento assim.

Bom... Você entende? Eu não.
Mas essa calma tem que acabar. Tenho que mudar as coisas. Tenho que me botar no rumo.

Sei lá o que tenho que fazer... sei lá...

Viu? É assim como estou. Me encho de vontade e energia, mas logo perco o sentido das coisas e volto à tristeza inicial da postagem.
Não. Não é manipulação o que escrevi hoje. Não me importa quem a lerá. Só queria desabafar.
Poxa... como tenho que desabafar mais. Essa postagem não basta.

"Essa solidão me dói. "