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Complexo de um brasileiro de estatura mediana...

... gosto muito de fulana mas siclana é quem me quer...

segunda-feira, maio 29, 2006

As duas estrelas cadentes

Sexta feira, dia 26 de maio, às 22:04:

Fui dormir. A cama já estava pronta. A tia do Jônatas já a havia preparado. Estava cansado sim. Uma semana muito pesada estava terminando naquela viagem para Ribeirão Bonito. O dia foi tranquilo, mas a semana estava acumulada nas minhas costas. Na verdade 3 semanas estavam acumuladas nas minhas costas. Frustrações e compromissos mil preencheram todo o meu tempo. Na verdade não aconteceu assim dessa maneira. Acho que coloquei peso de mais nas coisas, nas relações e nos compromissos. Esperava que algumas pessoas pudessem me ajudar a aliviar a situação, mas não foi bem assim. Fui para o quarto para fugir dos meus pensamentos que me atormentavam. A noite estava silenciosa na cidade, isso é verdade, mas não na casa da dona Antonieta. Não era culpa dela. Seus cachorros não paravam de brigar e meus 3 companheiros de viagem comentavam histórias, em voz alta na sala, que eu não queria ouvir naquele momento.
Não consegui dormir. Me mexi e remexi tentando dormir, mais nada. Estava perturbado. Pensei que minha vida deveria acabar naquele momento. Estava desamparado. Me sentia sozinho e extremamente carente. Não sei se alguém poderia me ajudar naquele momento. Acho que não. Diriam: "Saia disso! Vem, vamos ver tv com a gente." Mas não era daquilo que eu precisava.
Dessa maneira peguei meu discman e fui para o quintal. Passei pelos meus companheiros sem ser visto. Não queria que me questionassem onde iria. Queria ficar sozinho. Esse era o objetivo.
O quintal era enorme. Era um quintal lindo. Suas medidas eram disformes, não era quadrangular. Era uma propriedade muito antiga que foi sendo dividida com o passar dos anos. Mas mesmo assim era um belo lugar. Com diversas árvores frutíferas e um grama bem aparadinha. Lindo.
A noite também estava linda, mas naquele momento não pensava nisso. Estava friozinho. Imagino que fazia uns 16º C. Deitei-me na grama de frente para o galpão que ficava a oficina. Não me incomodei com a grama molhada. Me acomodei e comecei a chorar. Estava descarregando todo o peso que estava sobre mim. Estava me entregando e me colocando a frente de meu Deus. Fiz do momento um momento de questionamento e desabafo. Foi duro. Tive que bater de frente com os meus atos passados e adimitir os meus erros. Realmente foi duro. Chorei e chorei. Ao som doce de Sixpence None The Richer estava me entregando ao céu estrelado.
Fui me acalmando. Aos poucos a paz de Deus tomou conta de meu ser. Também pudera. Com aquele céu todo iluminado e a seneridade do local me sentia presenteado por Deus.
Até que veio a primeira estrela cadente da noite. Havia muitos anos que não via uma estrela cadente. Fazia muito tempo que não contemplava um céu tão estrelado. Me animei. Uma alegria muito grande veio sobre mim. Muito bom.
Já calmo, pensei na possibilidade das pessoas estarem preocupadas comigo. Poxa vida. Se viram que eu não estava dormindo na cama iriam me procurar. Mas estava outra pessoa naquele momento. Estava em paz e feliz. Impressionante, mas é a mais pura verdade. Tudo isso aconteceu e me sinto muito alegre por ter acontecido. Precisava fazer isso. Descarregar, desabafar, voltar pra Deus.
Foi então que eu vi a segunda estrela cadente. Linda, assim como a outra. A minha noite estava feita. Não precisava de mais nada.
Então entre uma música e outra ouvi uma voz chamando por Rafael. Não, não era o próprio Senhor. Era a Tati. Realmente as pessoas ficaram preocupadas. Me levantei e logo me avistaram. Quase que o Jônatas sai com o carro a minha procura. Eles acharam que eu era sonâmbulo e saira por aí na cidade. Mas estava tudo bem. Eu estava por perto e contente.
Fomos para o quarto. Já era hora de dormir. No caminho a tia do Jônatas confessou que fazia a mesma coisa quando mais moça. Achei tão engraçado.
Assim dormi quentinho e tranquilo.

"This is the last song that I write 'til you tell me otherwise."

terça-feira, maio 23, 2006

Simplesmente eu não sei

Não sei. Realmente eu não sei. Não sei porque eu começo algumas coisas e não termino. Não sei porque eu não gosto do cheiro de abacate e assim não consigo come-lo (já tentei e até consegui, o problema é o cheiro. Me embrulhou o estômago). Não sei porque não consigo comer gelatina. Mousse tem praticamente a mesma consistência e não tenho problema nenhum. Não sei porque larguei o tênis quando ainda estava no Moura Lacerda. Não sei porque não consigo mostrar o que estou sentindo. Não sei porque não faço o que eu quero. Não sei.
Não sei porque o homem resolveu ir para a Lua. Não sei porque não consigo fazer bola com chiclete. Não sei porque Bauru é tão feia, mas ao mesmo tempo tem o seu charme. Não sei porque gosto tanto de tantas coisas mas mesmo assim não me aprofundo nelas. Não sei porque não falo pra todos o que eu sinto por elas. Não sei porque aquela menina mexe tanto comigo. Não sei porque aquela garota não mexe tanto comigo, mas quero estar o tempo todo com ela. Não sei porque procuro pessoas novas se só quero estar próximo daquelas que participaram mais da minha vida. Não sei.
Não sei porque em tempos de guerra as pessoas ficam mais melancólicas. Não sei porque o Marquês de Pombal proibiu os brasileiros falar em Tupi. Não sei porque todos se ferram ao invadir a Rússia. Não sei porque todos querem invadir a Rússia. Não sei porque temos tanto mas ao mesmo tempo temos tão pouco. Não sei porque o irmão do namorado da minha irmã morreu tão novo. Não sei porque ainda estou vivo. Não sei porque tenho tanto e não valorizo nada dessas coisas. Não sei porque eu mudei tanto. Não sei porque estou tão mal a tanto tempo. Não sei.
Não sei como a seleção brasileira perdeu as copas de 78, 82 e 86. Não sei como a minha Biciclon ainda anda. Não sei como não consigo ver as coisas quando estão no meu ponto cego. Não sei como durmo na cama se adormeci no sofá da sala com a tv ligada. Não sei como vou agir daqui pra frente. Não sei como serei daqui alguns dias. Não sei.
Assim caio naquela célebre frase sobre saber e não saber (acho que essa vocês já sabem bem). Mas chego a conclusão que é pior que isso. Não tenho conciência do que eu sei. Eu não sei o que eu sei!
Em suma. Estou muito mais do que perdido.

"Imagina se eu não tivesse me apaixonado...."

sexta-feira, maio 05, 2006

Não é hora

Agora não é hora. Não é hora de escrever nesta página da internet e publicar no meu blog. Por que vocês estão lendo essas palavras? Por que diabos eu escrevi? Oras, para mostrar que não é hora para tal coisa. Simplesmente não é.

Por favor, entendam.
Muito Obrigado.

" - Tá tudo bem contigo?
- Tá! "
" Eu não sei fazer leitura labial. "