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Complexo de um brasileiro de estatura mediana...

... gosto muito de fulana mas siclana é quem me quer...

terça-feira, novembro 14, 2006

Aproveitando o tempo para uma análise

Fiquei em Ribeirão Preto forçadamente para cuidados médicos. Nesse tempo remexi nas minhas coisas mais antigas que guardo e que pretendo mostrar para meus netos: meus albúns de figurinha e as agendas de anotações.
Essa minha antiga agenda (de 1996, exatos 10 anos atrás) está judiada como todas as coisas que o tempo corroe, mas está tão próxima do que eu quero ser (ou voltar a ser) que me enche de emoção ao pensar nela. Mas a agenda Furukawa 1996 não é o assunto da postagem e sim o seu conteúdo mais recente.
Lembranças do show que vi na Ilhabela em julho desse ano me inspiaram. Agora a pouco vi o clipe da música "Ai... ai... ai..." da boa cantora Vanessa da Mata. O clipe não é tão belo e a música não é a melhor de seu repertório, mas me fez pensar no que está no meu imaginário.
O que é Ilhabela para mim? Além de um lugar para as férias e um maravilhoso exemplo da gealogia de Deus que faz as "montanhas se erguerem" diante dos meus olhos? Agora eu tenho um pouco de consciência.
Semana de Vela de Ilhabela é o tempo mais interessante de todo o inverno (a agitação do verão não é de se jogar toda fora) e tudo de "alto" valor se agrega ali. A vezes digo: "eu não ligo para dinheiro". Porém a verdade é que eu substituo um status por outro.
Eu super valorizo aqueles lindo barcos e as pessoas que os conduzem. Elas são muito ricas, dirigem carros Mercedez que eu nunca vejo em outros lugares, andam de casaco de tactel, tomam café lendo alguma revista importada no "Ponto das Letras" e adoram ver show do estilo da Vanessa da Mata.
Tão bacana quanto achei que essa pequena análise ficaria (quanta petulância cabe em mim?) eu acho esses elementos. Um ar europeu de pronuncia neoaristocrática tropical impregna o ambiente e me leva junto como uma onda. Não sei da onde eu tirei esse fascínio, mas sempre que tenho contato com algo do tipo meus olhos brilham. Eu que sempre lutei contra os burgueses ignorantes da minha terra e ainda tenho nojo do estilo de vida que eles têm, relevo o mesmo padrão quando este usa uma roupagem paulistana ou, até mesmo, européia. Incrível, não? E Vanessa da Mata é símbolo disso tudo. Uma cantora de lirísmo hedonista e culto revela tudo o que "gostaria" (uso aspas pois não controlo esse querer) de possuir e ser. Tal situação sempre existiu. Porém isso não me exime de ter todos os defeitos que esse grupo possui. Sou arrogante em muitos casos, desleixado com o meu próximo e super valorizo muitas coisas visuais que de nada valem em troca do caráter da pessoa. Uma pena, não? Também acho.

Alguns aspectos desse meu "gosto" se mostra nas minhas preferências de garotas, de música ou de roupas. Mesmo que eu acabe não usando essa "alta" cultura é como se ela estivesse em um pedestal para mim e minha admiração por ela é muito grande.
O problema está apresentado, mas qual é a solução? Você é capaz de me dizer?

" Eu sou um hardcore de boutique? Tenho quase certeza que sim. "